quarta-feira, 22 de julho de 2015

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EPC Boa Vista recebe Exposição "PRECE 20 anos"

Há 36km do centro de Pentecoste, município cearense, moradores da comunidade rural de Boa Vista realizaram, às 19h30 de sábado (18), uma roda de conversa sobre a importância do trabalho comunitário. A Escola Popular Cooperativa (EPC) Boa Vista abriga, até o dia 31, a exposição itinerante “PRECE 20 anos”.  Reunidos para a abertura da mostra na comunidade, a equipe do projeto “Memorial do PRECE” e moradores da localidade compartilharam histórias de transformações pessoais.

Roda de conversa na abertura da exposição "PRECE 20 anos"
Para o agricultor Audir da Silva, o PRECE representa recomeço, uma nova chance de estar próximo de sua filha, Ana Raquel. Com 9 anos, Raquel viu os pais se separarem e o convívio com o pai interrompido. Mãe e filha viviam em Palmácia, no maciço de Baturité, e Audir, em Boa Vista. Após concluir o ensino médio, persistia a vontade de continuar a estudar, mas as alternativas pareciam poucas, até surgir o chamado do pai: “Raquel, se tua mãe aceitar tu ir lá pra casa, lá tem o PRECE, lá eu conheço muito gente que já passou por lá e o PRECE dá muito oportunidade pra quem quer estudar”. A mãe aceitou e a menina foi. Ana Raquel cursa psicologia e todo fim de semana está na casa do pai. “Tem gente que não conhece o PRECE, se conhecesse pra vir estudar, como a Raquel veio, muita gente mudava de vida”, diz Audir entre sorrisos.

A caminho de Boa Vista

O único meio de chegar à Boa Vista, para quem não está com automóvel, são os carros de feira, conhecidos como paus-de-arara. No centro de Pentecoste, as ofertas são abundantes e cada veículo tem destino certo. “Esse carro aqui é do Carlinhos, ele vai pra Boa Vista. Quem é que vocês têm lá?”. Com o escambo de informações, logo se encontra o transporte certo para o destino desejado.

A professora Rafaela com o filho Iure, Maria Luca e Hosana
“Vocês conhecem o PRECE?”, a resposta afirmativa é dada em coro. Maria Luca, Hosana e Rafaela são moradoras da comunidade de Tamarina, vizinha à Boa Vista. No início da prosa, Maria e Hosana informam que não apenas conhecem o PRECE, mas que são mães de precistas. Entre a parada para a compra de galinha e a troca de receita de doce de leite, que não deve ser feito com leite coalhado, contam sobre os feitos dos filhos: “O Valdey se formou em agronomia e voltou pra tentar cultivar uma plantação na nossa terra. É pequena, mas é nosso pedaço de chão”, ao chegar à Tamarina, Maria chama o filho e o apresenta aos perguntões que a acompanharam na viagem. Despediram-se com a promessa de “tentar aparecer” na abertura da exposição. Elas não foram.

Educação Solidária e Cooperativa

Estudantes respondem: Por que sou precista?
À tarde, às 16h, os estudantes e os facilitadores da EPC Boa Vista reuniram-se para discutir o que os fazia precistas. Há dois meses, movida pelo exemplo da irmã Adriele, Andréia chegou à EPC em busca de estudar. A mãe; o primo Leandro, precista e professor de matemática da Escola de Educação Profissional de Pentecoste, e a irmã, estudante de administração na UECE, a incentivaram a procurar o auxílio do PRECE. Na EPC, Andréia encontrou histórias semelhantes a dela e uma forma nova de estudar. “É isso que me leva a continuar estudando, porque não só sou eu que concluí o ensino médio e aí passei um tempo parada e depois disse que quer voltar a estudar: o que é que vou fazer? Todo mundo dizia: Andréia vai pro PRECE! Todo mundo que quer aprender vai pro PRECE”.

A Exposição "PRECE: 20 anos de protagonismo, cooperação e solidariedade" estará até 31 de julho na EPC Boa Vista, em Pentecoste.

Seu Zé Alfredo (agricultor de Boa Vista que ia estudar em Cipó)
 com a mãe, Maria Firmino 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

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UFC e SEDUC visitam a Escola de Educação Profissional de Pentecoste

Na terça-feira, 30, por volta das 7h, os estudantes Arineto, Marcirlanni e Laura chegavam à Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Alan Pinho Tabosa. Naquela manhã, a rotina não seguiria o seu curso. Os três estudantes tinham, junto com outros colegas, a tarefa de apresentarem o cotidiano vivenciado naquela escola nos últimos 4 anos. Em 21 de junho de 2011, Pentecoste, município cearense, inaugurava a sua primeira escola profissional, que tem em sua gestão uma parceria entre a Secretaria de Educação do Ceará (SEDUC) e a Universidade Federal do Ceará (UFC).

Maurício Holanda, Secretário da Educação do Ceará,
e o reitor Henry Campos acompanham
à apresentação dos estudantes
O Secretário da Educação do Ceará, Maurício Holanda Maia, o reitor da UFC, Henry Campos e suas comitivas visitaram as dependências da escola, onde, nas salas de aulas, foram apresentados à metodologia, empregada para o ensino e aprendizagem, e aos projetos desenvolvidos pelos docentes e os estudantes. Divididos em grupos, os estudantes falaram sobre o cotidiano das aulas, nas quais, agrupados em “células de estudos”, realizam atividades orientadas pela metodologia da Aprendizagem Cooperativa (A.C.), empregada pelos docentes.

A estudante Marcirlanni Pontes (primeira à esquerda)
 apresenta, com colegas, a metodologia 
Questionados sobre a experiência com a A.C., os estudantes contaram as suas vivências com a metodologia dentro e fora da sala de aula. “Simplesmente falamos a nossa vivência, o nosso dia-a-dia, o que, todos os dias, acontece”, esclarece Marcirlanni Pontes, 16, estudante do 3º ano acadêmico. Moradora de Jucá, zona rural do município, a estudante relaciona a sua formação escolar com a sua participação em espaços de mobilização da comunidade: “Lá, na nossa comunidade, às vezes, reunimos todo mundo para discutir algum problema, principalmente agora com a falta d’água, e eu sou uma das que mais fala. A escola ajudou no meu desenvolvimento”, conta satisfeita ao associar a autonomia desenvolvida com o auxílio das práticas da escola com a sua atuação na localidade onde vive.

O estudante Arineto Costa, do 3º ano de informática, contou sobre como conheceu a A. C. antes de ser estudante da escola:



A Aprendizagem Cooperativa (A.C.), o PRECE e a UFC

Utilizada como metodologia da EEEP de Pentecoste, a A. C. foi elaborada a partir da experiência vivenciada pelo Programa de Educação em Células Cooperativas (PRECE), criado em 1994, em Cipó, comunidade rural de Pentecoste. Sete estudantes, em situação escolar irregular, foram viver de forma comunitária em uma casa de fazer farinha desativada, com o intuito de estudarem para ingressarem em uma universidade pública. Empiricamente, de acordo com as dificuldades encontradas na rotina de estudos, desenvolveram um método baseado no auxílio mútuo, na atitude cooperativa e solidária. Com o ingresso progressivo desses estudantes na UFC, a metodologia chegou à universidade.

No espaço acadêmico formal, foram reconhecidas semelhanças do método dos estudantes de Cipó com a metodologia desenvolvida pelos irmãos David W. e Roger T. Johnson. A união entre a prática cearense e a teoria dos irmãos Johnson possibilitou a elaboração do método empregado pela SEDUC e a UFC na EEEP Alan Pinho Tabosa, nas turmas de Agroindústria, Informática, Aquicultura e Acadêmica.

Projetos desenvolvidos pela escola

Fora da sala de aula, os estudantes participam de projetos que auxiliam o progresso do aprendizado e a prática cooperativa. Laura Sales, 17, estudante do 3º ano acadêmico, compartilhou a sua experiência com o projeto “Revisores Solidários”, no qual estuda atualidades e os critérios usados na correção da redação do ENEM. Os participantes do projeto auxiliam no processo de correção dos textos de colegas. A prática permite aos estudantes colaborarem com o projeto “Letras Solidárias”, que constrói uma rede de revisores espalhados pelo mundo. No próximo semestre o Revisores Solidários, sob orientação da professora Catarina Matos, irá ser aplicado nas escolas Etelvina Gomes Bezerra e Tabelião José Ribeiro Guimarães. Para Laura, a busca por uma educação de qualidade deve ultrapassar os murros da escola. “Ver alguém pedindo ajuda e poder colaborar é muito importante para a gente”, explica a estudante.


Laura Sales conta sobre a sua experiência
com o projeto Revisores Solidários
Ao lado de projetos como o “Promotores de Leitura”, que estimula a leitura e a troca de livros entre os estudantes, e o “Produção textual básica e atualidades”, que discute atualidades para a produção de textos dissertativos, a escola desenvolve ações comunitárias em parceria com o PRECE. Os núcleos do PRECE são as Escolas Populares Cooperativas (EPCs). A EPC Pentecoste, em parceria com a escola profissional, desenvolve o projeto Estudante Cooperativo I e III. O primeiro é destinado a crianças do ensino fundamental I, o último a estudantes do 8º e 9º ano. O Estudante Cooperativo II está planejado para atender crianças do 5º e 6º ano, em breve. Os estudantes Letícia Galvão e Willian Araújo, facilitadores do projeto, apresentaram às comitivas o Walysson e o João Vitor, que explicaram sobre o Projeto:



Curso de Liderança Cooperativa e Solidária

Após conhecer a metodologia e os projetos desenvolvidos pela escola, as comitivas participaram da cerimônia de entrega de certificados do curso de Liderança Cooperativa e Solidária. Os alunos participam das aulas organizados em células de estudos. Em uma turma com 45 alunos, são 15 células, cada uma com três estudantes divididos com funções específicas que se alternam ao fim de cada ciclo de ensino (semestre). Um desses alunos tem a função de facilitar a aplicação das atividades, um auxiliar direto do professor, chamado de coordenador de célula. Esse grupo funciona de acordo com as aplicações metodológicas da A.C., o que os torna “células de estudo”, onde cada membro exerce uma função vital para o êxito das tarefas, a falha de um compromete a meta coletiva, o que torna necessária a ajuda mútua para o bom funcionamento da célula.
A psicóloga Laís Leite apresenta o curso
de Liderança Cooperativa e Solidária
O curso de Liderança Cooperativa e Solidária foi elaborado e aplicado neste semestre, com duração de dois meses. Anteriormente, era aplicado um curso de formação de coordenadores de células, com duração de uma semana. A psicóloga Laís Leite, responsável pela oficina de comunicação não verbal (ou linguagem corporal) explica que a metodologia é estruturada para naturalizar a prática da cooperação. A estrutura leva ao desenvolvimento de competências subjetivas. Laís defende que há melhores rendimentos acadêmicos quando a metodologia atrela o desenvolvimento de clima emocional positivo à preocupação com o desenvolvimento cognitivo. Essa metodologia promoveria o amadurecimento de competências sociais. “Resultados estatísticos mostram que desenvolver uma [competência] ajuda a desenvolver a outra”, contextualiza Laís ao explicar o funcionamento da A. C..

O professor de história, Magelo Braga, explica que o curso de Liderança Cooperativa e Solidária é uma forma de auxiliar os alunos a compreenderem o funcionamento do método usado em sala. Destinado a alunos que atuam como coordenadores de células, o curso pretende estimular o questionamento e o aperfeiçoamento da prática. “No próximo semestre, uma nova turma de coordenadores de células fará o curso, a ideia é que a função e a formação sejam rotativas”, contextualiza Magelo.

Cerimônia


Na quadra, os visitantes participaram da cerimônia de entrega de certificados do Curso de Liderança Cooperativa e Solidária. Os estudantes realizaram apresentações artísticas e receberam os certificados das mãos de amigos e professores. À mesa, estavam presentes a prefeita Ivoneide Moura, políticos locais e professores de escolas vizinhas e da CREDE. A Professora Maria Otília Nunes, amiga da EEEP Alan Pinho Tabosa, estava na plateia junto aos estudantes. O reitor, Henry Campos, e o vice-reitor Custódio Almeida estavam ao lado do Secretário de Educação, Maurício Holanda Maia e de Eudoro Santana.

Grupo reunido após a cerimônia
A metodologia da escola Alan Pinho é elaborada e aplicada em parceria com a UFC. O reitor, Henry Campos, defende a troca de saberes entre os diferentes níveis de formação como indispensável. “Aqui nós encontramos a práxis de todos os sete saberes da educação, a educação libertadora de Paulo Freire, a pedagogia da autonomia... É uma coisa belíssima, você vê as pessoas transformadas. São meninos adultos, com histórias de vidas já transformadas e preocupados em transformar a história de vida dos outros. Isso é extraordinário”, afirmou o reitor ao compartilhar suas impressões.

Henry Campos, reitor da UFC
O Secretário da Educação destacou a importância da experiência da EEEP Alan Pinho Tabosa para o aperfeiçoamento da qualidade educacional:


quinta-feira, 25 de junho de 2015

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Exposição PRECE 20 anos chega à Canafístula

A exposição itinerante "PRECE 20 anos" aportou, neste fim de semana, em Canafístula. Precistas de diversas gerações compareceram a abertura da mostra. Na noite de sábado, 20, Noberto, um dos sete estudantes que iniciaram o PRECE, juntou-se aos novos estudantes em uma roda de conversa sobre o papel da Escola Popular Cooperativa (EPC) de Canafístula. Além de rever as ações realizadas, a exposição deseja despertar a reflexão sobre as ações atuais.  Para Noberto, doutor em química e professor da rede estadual de ensino, a pedagogia do PRECE é o exemplo. O PRECE não é discurso, mas sentimento. As falas só se validam quando as ideias estão enraizadas, o sentir e o pensar impulsionam o corpo à ação.


Montagem da Exposição
No domingo, 21, a EPC abriu à comunidade as portas da exposição. Clésia Costa, irmã de Noberto, professora da escola local, colaborou com a montagem da mostra.   “É muito importante. Quando eu vi, achei que não era. Achei que poderia ser um trabalho em vão, mas não é”, confessa a professora, que percebe o Memorial do PRECE como uma forma de compartilhar as ações do PRECE com as novas gerações. As histórias têm como missão motivar, defende Genival Barros, estudante de Canafístula que chegou ao PRECE ainda em Cipó, em 1996. “Nossa história está aqui contada, mas, muitas histórias ainda poderão ser contadas por outras pessoas”, hoje, agrônomo da Secretária de Agricultura de Apuiarés, Genival acredita que o diferencial das histórias precistas é o retorno às comunidades de origem, o importante é “buscar uma universidade pública de qualidade para retornar e contribuir com a comunidade”.


Roda de conversa com a comunidade
Canafístula

Localidade rural de Apuiarés, a 122 Km de Fortaleza, Canafístula tem a iniciativa comunitária entrelaçada à história de sua constituição. Com ares de vilarejo, a sua ocupação data da segunda metade do século XIX.  Em dissertação apresentada ao curso de Mestrado em Políticas Públicas e Sociedade da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Meirejane Gomes, conta sobre as ações de famílias da localidade para continuarem naquele canto do mundo. Encrustada no sertão cearense, a comunidade nem sempre tem a natureza como aliada. O desafio de subsistir ao clima tórrido despertou a necessidade de se organizar para se fazer notar perante o poder público.


Canafístula
Vizinha do município de Pentecoste, Canafístula logo ouviu falar do que acontecia em Cipó, em 1994. Noberto, um dos estudantes que vivia em uma casa de farinha desativada, era dali. O exemplo de Noberto atraiu mais canafistulenses àquele local. 10 anos depois, em 2004, o PRECE chegou à Canafístula. Com orgulho, a localidade fala dos seus letrados e dos doutores que encontraram naquelas areias um abrigo para os sonhos, com os quais fertilizaram as suas identidades. Todo canafistulense, de algum modo, é precista.

A memória e a ação precista

Cláudio Bezerra, precista
 O “PRECE não é só estudo, é vida”, lembra Cláudio Bezerra que se identifica como agricultor, estudante e precista. Para Cláudio, irmão de Noberto, o maior objetivo não deve ser a universidade, mas sim, transformar-se, libertar-se da ignorância, e para isso é preciso está aberto ao outro. Sem o outro não há o PRECE. “Eu sinto o PRECE meio distante. Hoje as pessoas valorizam mais os bens materiais, as tecnologias do que o contato físico, e isso não são apenas os jovens”, provoca Cláudio, que defende o contato, as trocas, a ajuda mútua, a compaixão e a solidariedade como elementos constituidores do PRECE. “A gente trabalha a vida, sai do papel e vai para a parte física, a mentalidade. Eu mudei a minha forma de vida, a minha mentalidade”, acredita que a exposição recorda não apenas as histórias, mas o motivo do PRECE existir.  Esse projeto serve “para os veteranos acordarem, porque estamos querendo esquecer o PRECE atuante, do contato físico com as pessoas”, continua a provocar.


Emanuele, Vitória e Samira participam
do projeto Estudante Cooperativo
Estudantes do ensino fundamental da escola Nely Ribeiro Luz, Emanuele, Vitória e Samira participam do Estudante Cooperativo, projeto desenvolvido pela EPC Canafístula. A exposição foi o primeiro contato das três com a história precista. Mônica Gomes, precista, estudante de Administração Pública e colaboradora da EPC, diz que a mostra itinerante promovida pelo Projeto Memorial do PRECE, é um meio de motivar essa turma nova. A universitária diz que as ações desenvolvidas pela EPC acontecem e os novos estudantes participam sem reconhecerem o PRECE nessas atividades. Para Emanuele, o Estudante Cooperativo a ajuda com o português e a matemática, mas, principalmente, é o espaço onde ela pode pintar e imaginar um mundo com as cores e as formas que desejar. Samira fala que antes de chegar à EPC ouvia dizer que ali era lugar de escrita e de arte. “E é isso mesmo, Samira?”, “É!”. O PRECE, para as duas, é sinônimo de criação, é  um se mover pela imaginação.

A Exposição "PRECE: 20 anos de protagonismo, cooperação e solidariedade" ficará até 03 de julho na EPC Canafístula, em Apuiarés.



terça-feira, 9 de junho de 2015

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Exposição PRECE 20 anos estará na II Feira Cultural da Escola Alan Pinho Tabosa

No dia 12 de junho, a exposição “PRECE - 20 anos de protagonismo, autonomia, cooperação e solidariedade” chega à EEEP Alan Pinho Tabosa, em Pentecoste. Após um mês em Cipó, a mostra segue pelas EPCs com o objetivo de percorrer, até o fim de 2015, todas as escolas populares cooperativa. Durante dois meses, em Cipó, a comunidade local e a população adjacente puderam relembrar os fatos que vivenciaram para a criação do PRECE e conhecer  novos aspectos dessa história.
Estudante durante a visita da Escola Nossa Senhora da Conceição
A EPC Cipó abrigou a exposição e mobilizou as visitações. Adilson Sousa, estudante da EPC, conta que mesmo as pessoas que já conheciam a história do PRECE, com a mostra, ampliaram suas percepções sobre o movimento.  A EPC, localizada na antiga casa de farinha que hoje é sede do PRECE, passou a ser frequentada por todos os moradores da localidade e não só por estudantes. A história do PRECE também conta uma parte da história da comunidade. Frequentemente as pessoas chegavam e reconheciam amigos, parentes ou a si mesmos nas fotos expostas. A narrativa contada fala de algo constituído pelos moradores locais e que faz parte da história íntima deles.

Adilson com estudantes e professores visitantes
Adilson acredita que a mostra colabora não apenas com o compartilhamento das experiências precistas, mas também, a reforçar o sentimento de pertencimento a essa história. “É importante a história do PRECE ser contada, para os jovens e outas pessoas verem como é importante ter um sonho e lutar pelo aquilo que é desejado”, afirma o estudante.


A EEEP Alan Pinho Tabosa abrigará a exposição nos dias 12 e 13, durante a II Feira Cultural promovida pela escola. Em seguida, a partir do dia 21, a mostra estará em Canafístula.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

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PRECE retoma o projeto Memorial

Equipe Memorial do PRECE:
Fernando Falcão, Ana Maria Andrade e Magelo Braga
Em março, na EEEP Alan Pinho Tabosa, o PRECE apresentou, à comunidade precista, o projeto de retomada do Memorial do PRECE. Criado em 2012, o projeto busca resgatar e divulgar a história do movimento. No início deste ano, a equipe da Professora Ana Maria Andrade retomou as atividades interrompidas em 2013.

Para contar essa história coletiva, construída durante 21 anos, é preciso narrar as inúmeras histórias individuais que a compõe. Para isso, os depoimentos, anteriormente coletados, serão organizados e sistematizados. Todas as informações colhidas serão publicadas com o intuito de compartilhar memórias e inspirar novas iniciativas.

Wagner Gomes, precista
O Memorial foi apresentado durante a Oficina de Elaboração de Projetos promovida pelo PRECE. No evento, os estudantes presentes ouviram os relatos de vida de Wagner Gomes, precista e um dos idealizadores da Adel, e de Airton Barreira, advogado popular que levou o movimento Emaús ao bairro do Pirambu.
Airton Barreira, movimento Emaús
Ravena Luz, estudante de Direito da UFC e militante da EPC Canafístula, nos diz que o projeto “é importante para não perdermos a nossa essência, porque os novos precistas precisam compreender que o que é feito hoje está diretamente ligado a uma ação iniciada há quase 21 anos”. Para Ravena, conhecer a própria história é fundamental para a formação de referências, um sujeito que não se percebe como protagonista da própria história torna-se impossibilitado de agir ativamente. As novas gerações precistas pouco conhecem sobre as motivações iniciais do movimento, e para que o PRECE continue a existir e atuar nas comunidades onde está, é imprescindível que essa história seja conhecida e reivindicada, só assim ela poderá ser atualizada. 



quarta-feira, 15 de abril de 2015

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EPC Cipó recebe Exposição PRECE 20 anos

A estudante Cristina Teixeira participou da abertura da exposição.
Em dezembro de 2014, durante o III Encontro de Aprendizagem Cooperativa, em Fortaleza, o PRECE iniciou a exposição “20 anos de Protagonismo, Cooperação e Solidariedade", neste ano, a mostra percorrerá as Escolas Populares Cooperativas (EPCs). No dia 12 de abril, a montagem chegou a Cipó, o início do caminho. Uma roda de conversa sobre a importância de compartilhar a história do movimento - com a participação da equipe do Memorial, precistas e moradores da comunidade - deu início a abertura da mostra. 


Adilson, estudante da EPC Cipó.
Produzida como um pequeno recorte dessa história, a exposição nos guia a partir da construção da antiga casa de fazer farinha e nos mostra a história dos 7 primeiros estudantes que levaram os livros aos campos de Pentecoste. 

Uma pequena localidade rural do município cearense de Pentecoste, Cipó gerou, há 20 anos, um projeto educacional responsável por inserir centenas de pessoas no mundo das letras. O PRECE começou entre paredes erguidas para a produção de farinha, mas que produziram saber. A estiagem, com a ajuda da omissão do estado, tornou o chão improdutivo, o cultivo só foi possível por meio de livros, a palavra tornou-se semente. Histórias somam-se cotidianamente a história do PRECE, constrói-se  uma memória coletiva, gregária e identitária. 

Estudantes da EPC Cipó
conferem a Exposição.

Essa memória deve ser compartilhada, conhecida e apropriada pelos novos estudantes que darão continuidade a ela. A EPC Cipó abrigará a exposição até 1º de maio, quando a equipe do Memorial do PRECE levará a mostra a outra EPC de Pentecoste.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

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Os anúncios e prenúncios do PRECE

Por Orismar Barroso

Fazendo uma leitura do contexto sócio histórico de Cipó e comunidades vizinhas, pertencentes ao distrito de Matias, município de Pentecoste/CE, a partir da década de 80 até o advento do PRECE, em 94, evidencia-se alguns questionamentos: qual era a situação sócio educacional? Quem eram os protagonistas? Como as comunidades se organizavam? Neste ínterim, que fatos se concatenaram com o surgimento do PRECE?

Averiguando o contexto vivenciado pelas comunidades na década de 80, vamos identificar no aspecto social, Cipó e as demais, confundiam-se em termos de tranquilidade, algo que contribuía com o senso de bem-estar das pessoas. Sua gente vivia das atividades típicas do sertão: agricultura, pesca, cuidar de animais, pequenos comércios, tudo a partir da lógica da subsistência. As localidades eram desprovidas de serviços basilares, como por exemplo: atendimento a saúde, comunicação, energia elétrica, transporte eficiente, dentre outros descasos.

A conjuntura educacional, era outro dilema, para não dizer um caos, pois, o contexto era caracterizado pela alta taxa de analfabetismo e com poucas possibilidades de mudanças. Os estudos, no ambiente familiar, era algo despretensioso que não fazia parte nos sonhos dos jovens, nem de seus pais. Assim, a grande maioria dos estudantes ficavam “enganchados” no fundamental incompleto, aliás, as poucas escolas que haviam nas comunidades, em grande parte, eram de sala única, multisseriadas e ofereciam, no máximo, até a 4ª série. Os poucos que resistiam, faziam o ensino médio, destes, um ou outro conseguia chegar à graduação que era algo raríssimo.
Escola Municipal na comunidade de Várzea Comprida, Pentecoste/CE
O nível de organização das comunidades era outro caso a parte, na qual faltavam os elementos básicos de organização institucional, inclusive, muitas associações comunitárias da região, na época, funcionavam alicerçadas na vontade de fazer acontecer de uns poucos, contudo, muitas delas eram destituídas de legalidade jurídica. Os associados não imaginavam a força que tinham e nem os líderes sabiam como encarar isso, eram poucas, as pessoas que assumiam o papel de liderança dentro das comunidades. Diante disso, em meados dos anos 80, começa a acontecer uma mudança no modus operandi dentro das comunidades, identificado nas associações, a partir de iniciativas mais arrojadas, de caráter mais interativo, reivindicatório e mobilizador. O novo momento percebido na região, em especial, Cipó e comunidades próximas, tinha à frente o jovem líder Adriano Sergio Andrade, um obstinado e assíduo batalhador que nasceu e cresceu na região. Adriano, dentre alguns feitos, conseguiu instituir, uma das mais organizadas associações na época que foi a Associação de Moradores e Pequenos Agricultores Rurais das Comunidades Capivara e Cipó (ACOMPPARCC), onde implementou uma série de projetos significativos e estratégicos para a região.
Adriano Andrade na inauguração da casa de farinha
A ACOMPPARCC, na liderança de Adriano, conseguiu diversos benefícios como: distribuição de filtros, apoio aos produtores, inclusive, foi neste período que de maneira organizada conseguiu recursos para manter creches, algo, que beneficiou centenas de crianças filhos dos agricultores. Nesse período, precisamente, em 1991, o jovem líder empenhou-se na aquisição de uma casa de farinha, junto ao estado, através da Secretaria de Indústria e Comércio, alcançado depois de muita luta. Ressalto a alegria da conquista, inaugurada em novembro de 1991, com muita celebração, tendo a participação da população, políticos locais e da primeira dama do estado da época Patrícia Saboya.
Patrícia Saboya na inauguração da casa de farinha, Cipó, Pentecoste/CE
Quis o destino que nos anos subsequentes, a cultura da mandioca tivesse uma queda significativa em sua produção, um fato, que deixou a casa de farinha praticamente desativada. Nessa condição, o espaço foi utilizado para realização do curso de datilografia, tendo a participação de dezenas de jovens. Na sequência, no ano de 1994, deixou de vez a condição de subutilizada, quando foi iniciado o PRECE (ainda com o nome Projeto Coração de Estudante), ocupada pelos 7 pioneiros do movimento e assim, sucessivamente com a adesão de outros estudantes da região.
Os irmãos Adriano e Manoel Andrade
Outro fato, que se percebe é que dentre as muitas iniciativas e ações, junto às comunidades é que Adriano sempre buscou trabalhar em parceria com seu irmão Manoel Andrade, havia por parte dos irmãos, um incentivo mútuo em prol do trabalho comunitário. A exemplo, cito os memoráveis campeonatos de futebol no início dos anos 90, que contava com a adesão de toda a região, algo contagiante, que dentre os pontos positivos do evento estava a mensagem, que ia além da festa desportiva, difundida na interação social e na promoção da paz. Outra iniciativa importante deles foi o apoio concedido aos professores de Pentecoste, na defesa dos interesses da categoria. Logo se percebe a contribuição deles nas temáticas educacionais do município.
Movimento em Defesa da Escola Pública em 2008 - Pentecoste/CE
Mediante a tudo, não tem como não ressaltar as mudanças originadas nesse período, década de 80 e 90, com ênfase nas mobilizações e no aperfeiçoamento do senso de liderança, salutar para conquistas importantes, em especial, no âmbito da educação. Na linha do tempo, vamos constatar que as ações implementadas naquele período, foram caracterizadas por líderes mais hábeis, resolutos, inquietos com a situação vigente que contribuiu com a configuração de um novo momento, na práxis organizacional das comunidades. Foi na junção dos fatos que surgiu uma empreitada social, que mais tarde desaguaria no advento do Prece, em 1994. Hoje, essa gene de inquietude e ações de contribuição social contínua, salta aos olhos, retratado nas transformações significantes. As associações comunitárias ganharam legitimidade jurídica, é comum gente de origem popular graduado, os protagonistas já se multiplicaram, legitimado nas ações de contribuição social. Portanto, ao olhar para aquela região, acreditamos que essa realidade persistirá por muito tempo, comprometida com o senso cívico, sustentado na vitalidade da cooperação e na solidariedade.